quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Uma nova forma de estar na caça?


A pandemia continua e os números dizem tudo: está pior! Sendo assim, até que ponto os nossos "velhos" e tão queridos hábitos de caça devem de ser alterados, correndo o risco - caso não o façamos - de podermos ser impedidos de o fazer?
 
A caça sempre esteve associada ao convívio entre confrades. Hoje em dia talvez seja essa premissa aquela que mais nos une, uma vez que não será só pelo simples abate de qualquer peça cinegética. O actual Estado de Pandemia limita os grandes convívios. Decorridos  mais de seis meses desde o seu inicio, já todos temos a obrigação de saber como podemos, e devemos, agir para evitar a sua propagação. São regras básicas de higiene sanitária e distanciamento físico. E friso o "distanciamento físico"! Distanciamento físico não que dizer afastamento social. Não precisamos de nos privar do tradicional convívio com os nossos companheiros, precisamos é de saber manter as distâncias entre nós e racionalizar o número de contactos.
 
Todos nós nos lembramos daquele tempo terrível quando fomos obrigatoriamente confinados à nossas casas. Lembro-me das inúmera queixas de caçadores nas redes sociais. Eu também me incluo, ao não me ser permitido sair para treinar os meus cães. Nem me passa pela cabeça ter de passar pelo mesmo, mas estamos todos a pormo-nos a jeito...
 
A abertura da caça geral ocorreu há 15 dias. Vejo - com preocupação - as inúmeras fotos nas redes sociais de caçadores juntos à mesa, praticamente "colados uns aos outros" para fazer a selfie, sem a mínima preocupação de distanciamento, parecendo que nada se passa quanto à pandemia. Acordem meus caros! Passa-se e é grave. As coisas não acontecem apenas aos outros e quem anda à chuva molha-se. Acreditem que não é por sermos muito amigos de alguém e ele não apresentar qualquer sintoma, que este não possa estar infectado e transmitir a doença.
 
Será a melhor opção ficarmos fechados em casa e não praticarmos a arte que tanto ama-mos? NÃO! Mas faça-mo-lo  com as devidas precauções. E se colocarmos nos pratos da balança o que ganhamos, com aquilo que podemos perder, acho que ninguém terá a mínima duvida daquilo que deve fazer
Vamos continuar a caçar. Vamos ter critérios em relação ao número de pessoas com quem vamos contactar. Vamos usar máscara, sempre que estivermos a menos de dois metros de outro amigo. Vamos almoçar, mas organizando a mesa por forma a que exista uma distância de segurança entre todos. Uma mesa não chega? Montem-se duas. Também as viagens em de carro em grupo devem ser reconsideradas. Se antes íamos todos num carro, talvez agora seja mais prudente irmos divididos em dois carros.
Quem me conhece pessoalmente, ou através das redes sociais, sabe que eu sou um "doente" pelos convívios da caça, pelos seus petiscos e pela diversidade gastronómica a eles associada. Não faço intenção de me privar disso, apenas o irei fazer com algum escrutínio. 

Eu quero cumprir a minha 37ª época de caça. Não quero ter de ficar novamente fechado em casa, sonhando com aquilo que poderia ser a época 2020-2021... 
É por isso que apelo ao bom senso de todos os confrades. Companheiros, está nas nossas mãos que isto corra o melhor possível. Vamos todos mostrar que os caçadores são responsáveis. Dê-mos o melhor exemplo à sociedade e conquistemos, não apenas o seu respeito, mas também a sua admiração.
"À mulher de César não basta ser séria, também o deve parecer". Façam um esforço para serem criteriosos nas imagens que divulgam no Facebook. Não dêem o flanco, nem tiros nos pés. 

Um forte abraço, muita saúde e grandes lances cinegéticos, complementados com suculentos convívios gastronómicos.
Rui Bonito