sábado, 8 de dezembro de 2018

Uns dias de treino em Mora

A convite do meu amigo Paulo Vieira, gestor de uma ZCT, lá fomos (e eu as minhas "sócias") até à bela vila de Mora.
Ele (Paulo), também um grande amante dos cães de parar e criador de Bracos Alemães com o afixo "das Meiguices", é uma daquelas pessoas que facilmente nos cativam por ser uma pessoa genuína e um grande aficionado de tudo aquilo que à caça diz respeito.


A ZCT tem condições de excelência quer para a caça, quer para o treino de cães. São muitos hectares com vários tipos de terreno e onde a escolha e as opções são tantas, que a dificuldade está apenas na sua escolha.
O meu objectivo era fazer treino físico, aproveitar as condições do terreno para ordenar a busca e, ao mesmo tempo com algumas delas, fazer abates para reforçar o respeito ao levante, ao tiro e o cobro à ordem.






Quem conhece a zona onde moro e treino, sabe que hipóteses de arranjar bons terrenos para treinar são muito poucas. Temos de fazer das tripas coração, usar de muita imaginação e, ainda assim, as condições estão muito longe de serem boas. Poder usufruir de uns dias como estes, são um autêntico privilégio.







Desta vez, para além das habituais componentes do Bonito's Team - Arty, Dolly, Diva e Brandie, tinha uma aliciante novidade - a Eva, uma cachorra com 5 meses de raça Braco Francês e que era a primeira vez que iria estar em contacto com este mundo novo. Por tudo isto, as espectativas e a ansiedade eram grandes.  E, na verdade, não saíram goradas.
As condições meteorológicas estiveram de excelência. tempo seco e temperatura amena para esta época do ano. O vento variava consoante o tipo de terreno, mas como a escolha era tanta, isso nunca foi um óbice.








Abstenho-me de vos traduzir aqui todos os momentos que me foram proporcionados pelo meu team, apenas partilho algumas fotos.
Afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras...








E como nem só de caça e cães vive o homem, partilho convosco umas imagens do pitéu com que fomos brindados no domingo ao almoço: um belo "pica no chão", no restaurante da D.Emília.
E porque dos fracos não reza a história, as entradas, bem regionais, tiveram o fim merecido.





Enfim, foram reunidos todos ingredientes para um grande fim de semana. Cães, caça, amigos e boa gastronomia. 


 



Resta-me esperar por uma nova "aventura" em Mora.

Acreditem que vale bem a pena!

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Criar um cão é criar um amigo


"Mão ferro, com luva de pelica". 
Há anos que venho e dizer que amar um cão não é colocar-mo-nos numa posição de vassalagem. Amar um cão é respeitar a sua essência. Amar um cão é entender a sua forma de pensar e interagir com o meio que o rodeia.

Os cães são animais de matilha. Em cada matilha existe um líder. Um macho alfa. O dono tem de saber ocupar o lugar de "macho alfa". Porquê? Simples: a figura do "macho alfa" significa, não só o poder, mas também a protecção!

O nosso canito tem de nos "ver" não só como alguém que lhe estabelece regras e que lhe faculta a alimentação, mas (sobretudo), como alguém que o protege. Só assim ele quererá sempre captar a nossa atenção e manterá uma atitude de respeito e admiração.
 


Educar um cão é criar um nosso "melhor amigo". Um amigo que nos admira, respeita e protege quando sente que estamos em perigo. Um amigo que estabelece connosco não só laços de cumplicidade, mas também que nos vê como um líder, como alguém que o pode guiar e, sobretudo, como aquele "ser" por quem dará a sua vida. Não entender isso é uma falta de respeito pela sua condição de cão. Esse é o "melhor amigo do homem", e será por isso que se diz que: "cada um tem a cara do seu dono"!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Alheira de Caça à moda de Trás-os-Montes

Nada mais característico e tradicional desta época, do que a Alheira de Caça. A origem da alheira perde-se no tempo, porém a sua lenda está ligada aos judeus e ao século XV. As mais famosas estão associadas a Mirandela, região emblemática de Trás-os-Montes, sendo até um produto DOC.


A origem do peculiar enchido remonta ao século XV, aquando da perseguição feita aos judeus pela Inquisição católica. Alguns instalaram-se em várias zonas do interior de Portugal. No nordeste transmontano também acabaram por ser forçados a converterem-se ao catolicismo. Apesar de alguns (aparentemente), se terem convertido ao catolicismo, continuavam sem comer carne de porco. Parece que a forma habilidosa que os recém-convertidos encontraram para iludirem os informadores da Inquisição e darem a aparência de consumirem porco (animal proibido nos costumes judaicos), foi inventar uma espécie de enchido feito com carne de aves, pão e gordura, e com a aparência de um chouriço e que seria a tal alheira.
Não há certezas em relação à veracidade desta história. Nos escritos do Abade de Baçal, a alheira é referida como chouriço judeu, corroborando a ligação dos enchido aos 'cristãos novos'.

Estórias à parte, a verdade é que a alheira é um excelente pitéu, totalmente português e a carne de caça adapta-se na perfeição à sua confecção. A perdiz e o coelho, são duas carnes nobres que combinam perfeitamente com a alheira. 
 

Aconselho uma forma de evitar que a pele rebente: fazer alguns furos com um palito, antes de irem para o fogo.

Existem inúmeras receitas de alheiras na internet, mas claro que as caseiras e feitas tradicionalmente são as melhores. Ainda há quem as faça com velhas receitas de família e que fazem as delícias de que tem o privilégio de ter acesso a elas. Infelizmente não é o meu caso, pelo que tenho me singir às de fabrico mais, ou menos, industrial.




A confecção da alheira é muito variada. Há até quem a coma frita, com batata frita e ovo estrelado, mas (para mim), a verdadeira receita e mais tradicional, é a da alheira assada na brasa, com batata cosida e grelos. É assim que se come na sua origem e assim que ela revela todo o seu sabor. Claro está que nunca poderemos esquecer o azeite! Esse tão importante acompanhamento/condimento, que casa na perfeição com a alheira e todo resto.





Para quem mora na cidade e pode não ter fácil acesso à brasa, em alternativa poderá assá-las no forno. No entanto, será apenas uma forma de contornar essa dificuldade, pois não terá o sabor como aquele que advém da brasa.



Experimentem e  bom apetite!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Festa das Adiafas 2018, Cadaval



Mas afinal o que são as Adiafas? Sendo um "regionalismo", é provável que poucos saibam o que são. A "adiafa", segundo a Infopédia, é "a refeição que se aos trabalhadores no fim de um trabalho". A origem da palavra é árabe e está relacionada com hospitalidade, banquete (do árabe ad-diāfâ).

Dito isto, a Câmara Municipal de Cadaval organiza anualmente a Festa das Adiafas e o Festival do Vinho Leve. O vinho tem tudo a ver com a festa e enquadra-se perfeitamente no conceito, uma vez que o trabalhador rural era/é um dos beneficiários das adiafas.



   


Este certame é composto por várias iniciativas, sendo o seu cartaz multicultural. Vai desde a gastronomia, os espectáculos musicais, às actividades equestres, animação musical, caminhadas e passando pela caça.








O Cadaval é um concelho predominantemente rural. Terra de bons vinhos, de fruticultura (ligada também à pêra rocha, por exemplo), mas sobretudo a todas as actividades que ao campo dizem respeito. 



A caça não é excepção. A Associação de Caçadores do Concelho do Cadaval, colectividade rica em tradição cinegética, é uma das mais activas a nível nacional. Também é bem patente o carinho e o apoio que a CM do Cadaval dispensa às suas  iniciativas.
Uma dessas iniciativas é a organização de uma prova de Santo Huberto, inserida no programa da festa. E é esse o motivo que me leva lá há 5 anos.






 

 
O certâme tem lugar no Pavilhão Municipal do Cadaval, havendo uma zona interior e outra ao ar livre. 



É composto por uma área dedicada à gastronomia, onde existem várias tasquinhas e onde se podem degustar os bons petiscos regionais, outra aos espectáculos musicais e uma zona de expositores.


 

Esta última, onde estão representados maioritariamente os produtos tradicionais da região, é o vinho que terá, porventura, um lugar de destaque.




E destaque mais do que merecido, uma vez que a sua qualidade e variedade é inquestionável. 




A prova de Santo Huberto foi organizada pela ACCC e decorreu no campo de treino da Serra de Montejunto. Terrenos já conhecidos de todos os participantes e com o tempo a não complicar as coisas.

 



A grande experiência que a Associação detém destas organizações, fez com tudo decorre-se normalmente e sem percalços.










No final da barrage sagrou-se vencedor César Sousa, com o Epagneul Breton, Baro de Mamuda.




A cerimónia da entrega de prémios decorreu no salão do pavilhão municipal do Cadaval e contou, para além da presença de vários membros do executivo camarário, com representantes das juntas de freguesias locais.  



 
Uma vez mais o concelho do Cadaval deu um exemplo daquilo que pode ser a simbiose das actividades da caça e do meio rural, não colocando de parte, nem em causa, a urbanidade actual.


Para o ano haverá mais e penso que, quem nunca esteve presente em anteriores edições da Festa das Adiafas, o deve fazer. Com certeza que não dará o seu tempo por mal empregue.



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

De regresso do III Prémio Espiga


Mais um ano, mais um fim de semana inesquecível! 

A convite, uma vez mais, do meu amigo Carlos Tiburcio, estive presente no III Prémio Espiga Santo Huberto. Como já referi na publicação anterior, esta é uma prova especial no panorama internacional do Santo Huberto. E é especial por várias razões. Desde logo pelo seu formato, depois pela sua dimensão e, ainda (mas talvez mais importante), pela presença do verdadeiro espírito do Santo Huberto. Desportivismo, camaradagem, respeito e paixão pelos cães de parar, são os ingredientes que fazem parte de uma receita de sucesso e que se repete ano após ano.

Saí do Porto na sexta de manhã, para fazer os 420Km que me separavam de Mérida. O caminho já era conhecido de outros anos. Ia apanhar calor e planeei uma paragem, para almoçar, a meio. O ano passado comemos em Pedrogão Grande. Foi uma forma de ajudar a economia local, após os trágicos acontecimentos que tiveram lugar na região. Este ano fui almoçar a Figueiró dos Vinhos.




Após uma volta de reconhecimento, encontrei um local à sombra para estacionar a carrinha e lá fui à procura de um restaurante. Só precisei de andar 50 metros...
Casa dos Leitões. Vamos a isso!





À entrada fiquei um pouco surpreendido, pois, para além da parte do restaurante, também havia um secção de produtos para a agricultura, acessórios para cães, facas e navalhas e, até, boinas. Não há duvida que este nosso Portugal é uma caixinha de surpresas.


É caso para dizer que "dos fracos não reza a história" e, por isso, a Casa dos Leitões não facilita. Depois da barriginha cheia, pode sempre comprar uma enchada, um boné ou uma trela pró canito...

O leitão, esse, estava razoável e atendendo ao preço da refeição (8.50€ tudo incluído, bebida e até o café), não há lugar para queixumes. Vamos embora, porque ainda falta "esfolar o rabo", quero com isto dizer, ainda falta a pior parte.




Cheguei a La Garrovilla à 17.00h locais. O hotel rural Cerro Principe, tinha sido previamente reservado pela organização da prova e estava incluído no valor da inscrição.
Foi uma agradável surpresa.




 Logo à entrada é fácil compreender que os proprietários são amantes do Jazz... A decoração, toda a envolvência e até o nome dos quartos, não engana.




O fino gosto é repercutido por toda a casa. Sou suspeito, pois sou um amante deste tipo musical, mas a viagem da recepção até ao quarto foi uma viagem pela música Jazz e as suas lendas.

Instalado e banho tomado, vamos para a gala/cerimónia de abertura. A finca El Toril espera por nós.
Todos os anos o Carlos Tiburcio e o Fernando Esprilla habituaram-nos a grandes surpresas. Este ano não foi excepção.


O programa desportivo da prova era ousado. Nada mais, nada menos, do que 72 participantes! Mas o programa social não lhe ficava atrás. Começamos pela cerimónia de abertura, onde, para além da vertente gastronómica, havia também uma apresentação musical a cargo de Kini Giménez, um conhecido saxofonista estremenho que, acompanhado pelo Antonio Lopez, nos proporcionou belos momentos de jazz através de alguns temas clássicos.






Depois... depois foi a degustação de alguns dos melhores produtos da Extremadura. Falar desta região espanhola é falar de presunto. Meu Deus, e que presunto...






A gastronomia gourmet esteve presente, pelas mãos do Chefe Francisco Gonzalez Lozano. Ele, também, praticante de Santo Huberto.






 A noite continuou animada, seguindo-se o sorteio dos dorsais.
Série D, 7. 
 Agora vamos descansar, porque amanhã a concentração é às 7.00H.


A logística desta prova é exemplar. Não há pontos mortos, os horários são cumpridos escrupulosamente e não há margem para erros. São 12 campos e a concentração e ficamos todos juntos. Quer isto dizer que é necessário um verdadeiro comboio de transferes para levar os concorrentes aos seus campos e todos saindo do mesmo local. Só quem está lá pode ter a noção da articulação necessária para não haver falhas, ou atrasos.

Durante a prova houve ainda espaço para uma viagem de balão. Os acompanhantes (e não só), puderam fazer um pequeno baptismo de voo. 


 
 Às 14.00h estavam terminadas as provas. Agora é tempo de almoço, convívio e ver os amigos. Muitos só nos revemos neste dia. São amigos de longa data, amigos do facebook e/ou tão simplesmente novos amigos. 

A festa é grande. A animação quase consegue disfarçar um certo nervosismo daqueles que acham que podem estar presentes na barrage final. Lembro que, de cada série, passarão 2 concorrentes para a barrage.
 

 Comitiva portuguesa: Rui Bonito, Luís Delgado, Domingos Carloto e Luis Figueiredo





À hora marcada (17.00h) começou a barrage. Quem ganhou não será mais importante do tudo aquilo que passou durante o fim de semana. O verdadeiro vencedor será sempre o Santo Huberto.
Tivemos um português presente na barrage, o Luis Figueiredo. Pela minha parte consegui um 4º lugar na série, com a Dolly e a Diva.




O dia terminou tão tranquilo com havia começado.

Gloria aos vencedores e parabéns aos vencidos.
1° Antxon Sanchez, P.I.m.
2° José Antonio Perez, S.I.h.
Jose Antonio Colias , H.B.h.





 Obrigado Carlos e Fernando. Mais um ano, mais um fim de semana inesquecível.

Um forte abraço.
RB