domingo, 14 de julho de 2019

Em honra da nossa memória


Um homem sem memória, é um homem sem passado ou futuro






Entre o politicamente correcto e o esquecimento selectivo da história e da tradição, restar-nos-à a "eunuquisação" dos nossos ancestrais costumes?


 

Sou caçador! Tenho orgulho nisso! Não me envergonho, nem me escondo! Sou portador dos genes que foram responsáveis pela evolução da espécie humana.











A caça sempre foi uma grande responsável pelo fornecimento de proteínas à nossa alimentação. Era, por ventura, a única forma das famílias terem acesso a uma fonte de proteína animal de qualidade. Principalmente aquelas famílias com menos recursos económicos e longe das cidades.





Num passado ainda recente, quando o homem vivia numa relação muito mais próxima com a natureza, foi a caça e os caçadores que sustentaram muitas dessas família - algumas numerosas - quando não existiam idas às superfícies comerciais, nem compras acondicionadas em bandejas de plástico.

Hoje em dia assistimos à constante tentativa de desvirtuar este facto, baseada numa falsa realidade que teimam em criar e que olvida todo um património cultural.
Cabe-nos a nós, actuais CAÇADORES, não deixar que correntes de pensamento, alicerçadas em falácias e tendências modernas urbano-depressivas, soneguem o valor moral e o respeito que por nós devido.


 "Ficámos espertos porque comemos carne" 
 (Sobrinho Simões)


Quando até evidências cientificas  o confirmam, porque razão temos de aceitar opiniões baseadas em neo-tendências citadinas, de quem pensa que a natureza vem servida em floreiras penduradas nas janelas?

O fanatismo e as ideias radicais que nos querem impingir irá acabar com a sociedade tal como a conhecemos hoje em dia. Terminaremos nós reduzidos a um grupo de personagens assexuadas, insípidos, inodoros e amorfos? E...  já agora, por que não, acéfalos?

Por mim ninguém pensa. Exijo RESPEITO! O mesmo respeito que dedico a quem não quer comer carne...


(Photo credits: Old hunting photos e Jornal I)

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Respeitar a sua essência


Amar e respeitar os animais é, acima de tudo, conhecer a sua essência. Querer humanizá-los será a forma mais dura de os violentar.

Um cão de caça nasceu para caçar. Nasceu para fazer parte de um grupo - matilha - como os seus ancestrais, o lobo.
O Homem (e reparem que escrevo com letra maiúscula...), deve saber assumir o seu papel de líder nessa "matilha". E ser líder será fazer-se respeitar, sabendo respeitar!

Um cão de caça, caça, porque no seu ADN possui genes que o "obrigam" a isso mesmo e desse facto depende, também, a sua felicidade. Não querer entender tal facto, ou querer atribui-lhe menos importância, é (na minha óptica), uma forma de violência animal.

Ser animalista não é amar mais, ou menos, os animais.
Amar é, compreender, aceitar a suas diferenças e limitações, mas sem lhes atribuir sentimentos humanos.

Um cão dá-nos sempre muito mais do que aquilo que recebe, mas existem muitas formas de lhes agradecer por isso. Talvez a primeira de todas seja entendê-los e deixá-los ser "apenas" - CÃES!

PS: eu não quero que aos meus cães seja permitida a entrada nos restaurantes, quero, isso sim, que eles possam continuar a caçar!

sábado, 8 de dezembro de 2018

Uns dias de treino em Mora

A convite do meu amigo Paulo Vieira, gestor de uma ZCT, lá fomos (e eu as minhas "sócias") até à bela vila de Mora.
Ele (Paulo), também um grande amante dos cães de parar e criador de Bracos Alemães com o afixo "das Meiguices", é uma daquelas pessoas que facilmente nos cativam por ser uma pessoa genuína e um grande aficionado de tudo aquilo que à caça diz respeito.


A ZCT tem condições de excelência quer para a caça, quer para o treino de cães. São muitos hectares com vários tipos de terreno e onde a escolha e as opções são tantas, que a dificuldade está apenas na sua escolha.
O meu objectivo era fazer treino físico, aproveitar as condições do terreno para ordenar a busca e, ao mesmo tempo com algumas delas, fazer abates para reforçar o respeito ao levante, ao tiro e o cobro à ordem.






Quem conhece a zona onde moro e treino, sabe que hipóteses de arranjar bons terrenos para treinar são muito poucas. Temos de fazer das tripas coração, usar de muita imaginação e, ainda assim, as condições estão muito longe de serem boas. Poder usufruir de uns dias como estes, são um autêntico privilégio.







Desta vez, para além das habituais componentes do Bonito's Team - Arty, Dolly, Diva e Brandie, tinha uma aliciante novidade - a Eva, uma cachorra com 5 meses de raça Braco Francês e que era a primeira vez que iria estar em contacto com este mundo novo. Por tudo isto, as espectativas e a ansiedade eram grandes.  E, na verdade, não saíram goradas.
As condições meteorológicas estiveram de excelência. tempo seco e temperatura amena para esta época do ano. O vento variava consoante o tipo de terreno, mas como a escolha era tanta, isso nunca foi um óbice.








Abstenho-me de vos traduzir aqui todos os momentos que me foram proporcionados pelo meu team, apenas partilho algumas fotos.
Afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras...








E como nem só de caça e cães vive o homem, partilho convosco umas imagens do pitéu com que fomos brindados no domingo ao almoço: um belo "pica no chão", no restaurante da D.Emília.
E porque dos fracos não reza a história, as entradas, bem regionais, tiveram o fim merecido.





Enfim, foram reunidos todos ingredientes para um grande fim de semana. Cães, caça, amigos e boa gastronomia. 


 



Resta-me esperar por uma nova "aventura" em Mora.

Acreditem que vale bem a pena!

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Criar um cão é criar um amigo


"Mão ferro, com luva de pelica". 
Há anos que venho e dizer que amar um cão não é colocar-mo-nos numa posição de vassalagem. Amar um cão é respeitar a sua essência. Amar um cão é entender a sua forma de pensar e interagir com o meio que o rodeia.

Os cães são animais de matilha. Em cada matilha existe um líder. Um macho alfa. O dono tem de saber ocupar o lugar de "macho alfa". Porquê? Simples: a figura do "macho alfa" significa, não só o poder, mas também a protecção!

O nosso canito tem de nos "ver" não só como alguém que lhe estabelece regras e que lhe faculta a alimentação, mas (sobretudo), como alguém que o protege. Só assim ele quererá sempre captar a nossa atenção e manterá uma atitude de respeito e admiração.
 


Educar um cão é criar um nosso "melhor amigo". Um amigo que nos admira, respeita e protege quando sente que estamos em perigo. Um amigo que estabelece connosco não só laços de cumplicidade, mas também que nos vê como um líder, como alguém que o pode guiar e, sobretudo, como aquele "ser" por quem dará a sua vida. Não entender isso é uma falta de respeito pela sua condição de cão. Esse é o "melhor amigo do homem", e será por isso que se diz que: "cada um tem a cara do seu dono"!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Alheira de Caça à moda de Trás-os-Montes

Nada mais característico e tradicional desta época, do que a Alheira de Caça. A origem da alheira perde-se no tempo, porém a sua lenda está ligada aos judeus e ao século XV. As mais famosas estão associadas a Mirandela, região emblemática de Trás-os-Montes, sendo até um produto DOC.


A origem do peculiar enchido remonta ao século XV, aquando da perseguição feita aos judeus pela Inquisição católica. Alguns instalaram-se em várias zonas do interior de Portugal. No nordeste transmontano também acabaram por ser forçados a converterem-se ao catolicismo. Apesar de alguns (aparentemente), se terem convertido ao catolicismo, continuavam sem comer carne de porco. Parece que a forma habilidosa que os recém-convertidos encontraram para iludirem os informadores da Inquisição e darem a aparência de consumirem porco (animal proibido nos costumes judaicos), foi inventar uma espécie de enchido feito com carne de aves, pão e gordura, e com a aparência de um chouriço e que seria a tal alheira.
Não há certezas em relação à veracidade desta história. Nos escritos do Abade de Baçal, a alheira é referida como chouriço judeu, corroborando a ligação dos enchido aos 'cristãos novos'.

Estórias à parte, a verdade é que a alheira é um excelente pitéu, totalmente português e a carne de caça adapta-se na perfeição à sua confecção. A perdiz e o coelho, são duas carnes nobres que combinam perfeitamente com a alheira. 
 

Aconselho uma forma de evitar que a pele rebente: fazer alguns furos com um palito, antes de irem para o fogo.

Existem inúmeras receitas de alheiras na internet, mas claro que as caseiras e feitas tradicionalmente são as melhores. Ainda há quem as faça com velhas receitas de família e que fazem as delícias de que tem o privilégio de ter acesso a elas. Infelizmente não é o meu caso, pelo que tenho me singir às de fabrico mais, ou menos, industrial.




A confecção da alheira é muito variada. Há até quem a coma frita, com batata frita e ovo estrelado, mas (para mim), a verdadeira receita e mais tradicional, é a da alheira assada na brasa, com batata cosida e grelos. É assim que se come na sua origem e assim que ela revela todo o seu sabor. Claro está que nunca poderemos esquecer o azeite! Esse tão importante acompanhamento/condimento, que casa na perfeição com a alheira e todo resto.





Para quem mora na cidade e pode não ter fácil acesso à brasa, em alternativa poderá assá-las no forno. No entanto, será apenas uma forma de contornar essa dificuldade, pois não terá o sabor como aquele que advém da brasa.



Experimentem e  bom apetite!