domingo, 10 de maio de 2020

Quanto vale a caça em tempo de pandemia?


A caça mexe com muitas emoções e paixões. E como em muitas paixões, por vezes, temos tendência para a irracionalidade. A forma como cada um de nós as vive, influência também a forma como achamos que as coisas se devem processar.

Será que caça voltará a ser o que era? E qual o novo papel que poderá assumir?

Esta pandemia originou, em primeiro lugar, uma grande crise de saúde pública e, em consequência desta, uma grave crise económica. A actividade da caça não está imune a tudo isso e, porque tem um grande impacto socioeconómico, preocupa-nos a todos.

Embora possa haver quem ainda não o reconheça, a caça é a fonte de rendimento para inúmeros sectores económicos da nossa sociedade. Sejam armeiros, gestores de caça, hotelaria, restauração, produtores de espécies cinegéticas, agricultores, etc. Toda esta cadeia foi - ou será - atingida por este tsunami que é a Covid-19.  A actividade da caça é, por ventura, em muitos locais do interior, uma das poucas oportunidades que seus habitantes têm para fazer mexer a economia local. A desertificação, a falta de estructuras de apoio social e o progressivo envelhecimento da população rural, também beneficia bastante com as deslocações dos caçadores.

Assim, eu acredito que a actividade da caça, e tudo que a ela diz respeito, poderá - e irá ter com toda a certeza - uma grande importância no relançamento da economia.
Nós, os caçadores, movimentamos muitos milhões de euros. São as portagens, é o combustível, são as dormidas, os almoços, etc, etc. Já para não falar nas várias licenças e demais taxas... É a economia a funcionar em zonas deprimidas economicamente e onde as alternativas ao turismo cinegético são poucas.
Para além disso, existem todo um conjunto de profissões ligadas directamente ao sector da caça e que já mencionei em cima. Todos eles, com um fim comum, fazem parte de um enorme" bolo" que gera milhões de euros e que, inevitavelmente também, geram receitas e impostos.

Naturalmente que poderemos de ter de fazer algumas concessões em termos de segurança: haver limite de numero de caçadores em certas situações. Serem estabelecidos protocolos para determinados actos em conjunto (montarias, por exemplo), e/ou outras medidas que se destinarão a proteger todos os intervenientes. Acho que isso será inevitável, porém nunca deve ser impeditivo. Interditar nunca deverá ser uma opção de segurança. Sensibilizar as pessoas e formá-las nesse sentido, terá de ser o caminho.
Quero acreditar que, ao desenvolvermos a nossa actividade da caça, somos uma mais valia para o relançamento da economia. Isso tem de se,r forçosamente, reconhecido pelo estado. Não somos apenas uns "tontos" que gostamos de dar uns tiros, somos também agentes económicos. E se nem agora reconhecerem esta nossa, importância, então nunca saberão como uma paixão pode ser tão irracional.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

E quando eles deixam de nos servir...

Quando eles deixam de nos "servir"



Quem os tem e - acima de tudo - os ama, sabe que um dia eles vão ter de descansar e deixarão de nos poder acompanhar. É a sua merecida aposentação após tantos anos de cumplicidade, dedicação e parceria.
Não existe no mundo um ser vivo que se nos seja tão fiel como um cão e cabe-nos a nós, nesta fase das suas vidas, "pagar" essa divida para com eles.





 Demonstrar a nossa gratidão e reconhecimento, é o mínimo a que estamos obrigados. As recordações que nos proporcionaram e os lances que ficaram gravados na nossa memória, são "impagáveis" e, por isso, devemos respeitar a sua idade, proporcionar-lhes todo o conforto possível e aconchegá-los (sempre!), no nosso coração.  Afinal, muito pouco para quem já nos deu tanto.

Obrigado Arty. Obrigado Dolly.
Vamos continuar a envelhecer juntos.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

A caça, o mundo rural e as tradições

  
O estado tem o dever - e a responsabilidade - de me "proteger"

Muito se tem falado e debatido nas redes sociais acerca dos mais recentes ataques à caça e ao mundo rural, tal como o conhecemos, por parte de algumas forças politicas e de outros movimentos com motivações duvidosas. Algumas dessas forças reforçaram a sua influência do parlamento, o que fez, uma vez mais, soar as campainhas de alarme.

Modas à parte, temos de reconhecer que ser caçador não está na moda. Gostar e prestigiar as nossas tradições, também parece não estar na moda. Até comer um bom bife, para além de não estar na moda, parece que agora é crime...
Perante tudo isto, onde é que nós, caçadores, amantes do mundo rural e das tradições, nos enquadramos? Estaremos condenados a sermos rotulados de trogloditas, atrasados, assassinos, etc, etc? Definitivamente eu digo que NÃO!

Um homem sem história, é um homem sem futuro. Aprecio muito os jovens (e a juventude), reservo-lhes a grande responsabilidade de virem a ser guardiões - no futuro - não só da sua carga genética, mas também das suas memórias. Estas - as memórias - serão algo que alguém teve o cuidado de lhes transmitir ao longo da vida e  que, em si, devem comportar - não apenas - o historial familiar, mas também cultural de toda uma sociedade onde estão inseridos.

Presumindo que os declarados anti-caça não tenham nascido por geração espontânea, todos eles terão uma família. Acredito, também, que será uma família funcional e estructurada, com valores e tradições. Sejam da cidade, ou do campo, acharão essas pessoas que têm o direito de tentar apagar as memórias e tradições de todas as outras? Rotular e colocar epítetos a alguém, apenas porque não comunga das mesmas ideias, será uma atitude civilizada?

Sou de uma geração que viveu um momento da nossa história em que não era fácil ter opiniões contrárias ao sistema. Vivi a transição e, por isso, consigo estabelecer comparações. A nossa liberdade termina onde a do outro começa. Que legitimidade têm estes "novos pensadores" para criticar, reprimir e proibir-me de fazer aquilo que mais gosto? Menos ainda, para me apelidarem com adjectivos já de si abjectos!

Exijo respeito! Respeito como ser humano, mas - acima de tudo - como cidadão cumpridor da lei em vigor e como contribuinte que pago os meus impostos.
O estado tem o dever - e a responsabilidade - de me "proteger"! Tem a obrigação de fazer com que eu não seja atacado por grupos de radicais extremistas - com agendas mais ou menos ocultas - que querem acabar com o meu modo de vida e as minhas memórias!

Em defesa da Caça e do Mundo Rural.
Rui Bonito

sábado, 5 de outubro de 2019

Perdiz recheada, assada no forno



A caça deve ter um fim digno e ser tratada com o respeito que nos merece. Serão confeccionadas a preceito e devidamente degustadas por quem um dia teve o privilégio de se cruzar com elas.
Ser caçador também é saber homenagear uma peça de caça, fazendo com que esta cumpra o seu desígnio.




Esta é uma receita muito simples e de fácil execução.
Depois de temperar as perdizes com sal e pimenta preta a gosto, há que as rechear.
O recheio é feito com chouriço de colorau picado, ao qual se juntam pimenta preta em grão, alho, tomilho e alecrim. 





Depois de recheadas, devem ser colocadas num tabuleiro para irem ao forno, previamente cobertas com tiras de bacon.




O ciclo completou-se. É a isto que eu chamo "caçar" e ser "caçador".
Chamem-lhe uma visão "poética da caça", mas quando assim deixar de ser - para mim - caçar não fará qualquer sentido.

Bom apetite!




Ingredientes:
- 2 Perdizes
- 50gr de Bacon
- 1 Chouriço de colorau
- Pimenta preta em grão
- Alho
- Cebola
- Tomilho, Alecrim,  Louro e Salsa
- Azeite
- Banha de porco
- Meio copo de vinho branco

Preparação:
Limpar bem duas perdizes e temperar com sal e pimenta preta qb.
Preparar o recheio picando um chouriço de colorau e juntando tomilho, alecrim, alho picado, e peimanta preta em grão, formando uma pasta homogénea.
Colocar as perdizes já recheadas num tabuleiro, onde previamente se colocou uma cebola cortada em meia lua, 3 dentes de alho esmagados, azeite e um pouco de vinho barnco.
Cobrir as perdizes com as tiras de bacon e colocar duas nozes de banha de porco e um ramo de salsa.
Levar ao forno já quente durante 40 minutos, cobrindo a assadeira com uma folha de papel de alumínio.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Redes sociais - as novas mesas do café?


No meu tempo - entenda-se, quando comecei a caçar - não existiam redes sociais, mas não era por isso que os caçadores deixavam de comunicar com os amigos. Para isso existiam as mesas dos cafés, ou até, as lojas dos armeiros. As segundas-feiras eram o dia, das mentiras, das verdades e de algumas fanfarronices... Mas o pessoal aproveitava para conviver, trocar informações e beber umas cervejas no Verão e uns cafés no Inverno. Era caso para se dizer que a coisa nascia e morria ali.


Lembro-me de um cartaz que costumava estar afixado nos locais onde os caçadores habitualmente se encontravam, e que dizia o seguinte: "Aqui se encontram, caçadores, pescadores e outros mentirosos"...
Todos nós achávamos piada à coisa e (em boa verdade), também colaborávamos, cada um ao seu estilo,  para dar seguimento à tradição.




Hoje em dia constato que os cafés estão cada vez mais vazios de caçadores e as raras lojas de armeiros são uma miragem. O "ponto de encontro", agora, são as redes sociais. Às vezes mesmo em directo do local onde se desenvolveu a jornada de caça!
Sinal dos tempos actuais, as redes sociais são - para o bem e para o mal - uma poderosa ferramenta de comunicação e montra de actividades. Contra isso, não tenho nada. Aliás, sou um assíduo utilizador dessas plataformas, como é prova, inclusivamente, este blogue. Mas acho que a maioria de nós ainda não tem noção do impacto disso mesmo.

É inegável que a caça, e os caçadores, estão diariamente a ser escrutinados e, muitas vezes atacados na sua actividade.
Os movimentos de "cruzados anti-caça", também se infiltram nos grupos de caçadores do Facebook, por exemplo. Com falsos perfis, colhem informação, fotos comprometedoras onde (pretensamente), a lei é desrespeitada, ou mostram imagens que podem ser mal interpretadas e distorcidas, dando consistência à sua argumentação radical.

Curiosamente não os culpo. pois acho que os maiores culpados somos nós. Pelo menos aqueles que fazem questão de se pôr a jeito!

Desengane-se quem acha que o direito que temos hoje de poder caçar é universal e para todo o sempre. As coisas mudaram! Iremos ser cada vez mais atacados e haverão novas tentativas de acabar com a caça. Não adianta enfiar a cabeça na areia. Só mesmo quem ande muito desatento não entenderá isso.
Nós, caçadores, temos de ser mais responsáveis quando partilhamos algumas publicações nas redes sociais. Não se esqueçam que qualquer coisa que publiquem, pode ser vista por muitos milhões de olhos, inclusive por aqueles que não nos vêm com "bons olhos".

Partilhem as vossas caçadas, convivam online com amigos e conhecidos, contem as vossas pequenas "mentiras", porque tudo isso também faz parte da caça. Mas, por favor, não se ponham a jeito ao divulgarem imagens que possam ser usadas conta nós. Deixem-se de provocações desnecessárias que mais não são do que tiros nos pés.



Usem a imaginação e o bom gosto na composição dos vossos quadros de caça. Não publiquem fotos onde se dê a entender que  foram excedidos os limites e, caso o façam, deixem bem explícito quantas armas estiveram implicadas, ou/e o país onde foi efectuada. É uma coisa tão simples, mas que pode ser tão importante.



Termino desejando a todos vós uma boa época de caça, onde a memória dos lances se sobreponha sempre à matemática dos números.
Lembrem-se que: "À mulher de César não basta ser séria, também deve parece-lo"!
Saudações cinegéticas.
Rui Bonito

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

"Caça, que é caça, quer-se escassa"


Caça, que é caça, quer-se escassa

Quantos de nós, caçadores, entendem e aceitam este dito popular?
Ou será que valorizam mais o: - "A minha pil(h)a é maior do que a tua?...
Guardem na vossa memória os lances e nunca os números.
Os números esquecem-se, os lances - esses - ficam registados para sempre!