terça-feira, 12 de março de 2024

Afinal, o que é uma prova de Santo Huberto?



O Santo Huberto foi criado com o espirito de ser uma prova de caça com cão de parar (embora também se faça com levantadores), onde o espirito desportivo e o respeito pela correta prática cinegética, num quadro de respeito pela natureza, seria "representado" numa prestação de 15 minutos.

Não é uma prova de cães, para isso existem outro tipo de provas. É uma prova para caçadores, onde o cão é um auxiliar importante e imprescindível, mas nunca a sua principal figura. A prová-lo estará a diferença de pontuação que é atribuída ao caçador e ao cão, 50-30 pts. E se contarmos com os pontos do tiro, então a relação será 70-30.

O Santo Huberto não será um acto de caça no sentido restrito da palavra, uma vez que as peças são colocadas no terreno e mais, ou menos, limitadas para se manterem dentro do campo. Também são peças cinegéticas criadas em cativeiro, pelo que o seu comportamento não é igual ao das criadas em liberdade, que têm outra capacidade de enganar os cães e caçadores. Mas, tratando-se de uma actividade que se pratica durante todo o ano, esta é a única forma de se poderem realizar sem por em causa a sustentabilidade dos ecossistemas.

Feita esta introdução - para contextualizar aquilo que se passa numa prova - interessa agora analisar o tal "espirito" com que foi criado. Embora esta seja uma análise pessoal (e cada um terá a sua), eu acho que o Santo Huberto deve servir para recriar aquilo que se passa durante uma jornada de caça a sério, onde se estabelece uma relação com a restante equipa, com os companheiros de jornada. O Santo Huberto deve ser amizade, convívio, entreajuda, ainda que tenha de haver quem ganhe e quem perca. Não entender isso é perder tempo e, certamente, haverão outras actividades ligadas à caça que os farão mais felizes. 

Para se fazer Santo Huberto não basta ter uma arma e um cão. É preciso também ter aquilo que faz toda a diferença: saber estar dentro e fora da prova, entender o seu espirito e objectivo, e aceitar as nossas próprias limitações. Eu diria mesmo que o Santo Huberto vai muito para além do seu próprio regulamento, porque ele - Santo Huberto - em última análise, será sempre aquilo que cada um nós quiser.
Para aqueles que tanto o criticam, não perguntem o que é que o Santo Huberto pode fazer por vocês, perguntem o que é que vocês podem fazer pelo Santo Huberto.

PS: faz 30 anos, no dia 30 de Abril, que fiz a minha primeira prova de Santo Huberto, nos Arcos de Valdevez. 


sábado, 2 de março de 2024

De volta

 


Após um longo período sem actualizar este projecto, aqui estou eu a reativar "Os 5 sentidos da caça". 
Será um espaço de partilha e divulgação daquilo que vai acontecendo a nível de organizações cinegéticas, das provas de Santo Huberto em que eu participo, do mundo rural e da gastronomia da caça. 
Com um novo layout, espero que continuem a desfrutar das minhas viagens pelo mundo da caça, dos cães e toda a sua envolvência.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Entrecosto de Javali na panela



Existem muitas formas de confecionar o Javali. Tendo em conta que a carne deste ungulado é mais seca do que a do "nosso" tradicional porco, tenho sempre a preocupação de cozinhar esta espécie tendo por preocupação minimizar esses facto.

Como sabem, eu não faço caça maior. Por isso estou dependente da simpatia de alguns amigos que, regularmente, me presenteiam com uns bons nacos de carne. Desta vez foi o meu amigo Paulo "Meiguices" Vieira, que me ofereceu uma magnífica pela de entrecosto. Diga-se, de passagem, que é a parte que mais gosto.






Depois de devidamente cortado e pedaços de duas costelinhas, seguiu-se o seu tempero. Para tal fiz uma mistura com azeite, banha de proco, um punhado de sal, pimenta preta e colorau. Após misturar bem os ingredientes, untam-se as costelinhas e deixam-se repousar durante duas horas.


Numa panela (espessa), cobre-se o fundo com duas cebolas cortadas aos quartos e junta-se azeite, uma colher de sopa de banha de porco, três dentes alhos esmagados e com casca e uma folha de louro. Após este procedimento, vamos dispor as costelinhas por cima e em camadas. Regamos com vinho branco qb, até meio da altura da carme.
Leva-se ao lume brando, sempre mantendo a panela bem tapada e indo retificando os temperos a gosto. Se a carne for tenra, ao fim de 60-90 minutos temos o parto confecionado. De lembrar que só está pronto quando puxarmos e ossos se soltarem da carne sem esforço. 



Acompanha com tudo. Fica bem com batata cozida, frita, arroz seco ou, até, um bom pão alentejano.
Bom apetite!


segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Os TaliPan's da nossa democracia



Num altura em que todos o noticiários abrem com o problema do Afeganistão e dos Talibãs - onde o extremismo e a intolerância religiosa ofendem aqueles que acreditam na livre vontade - aqui, no nosso país temos o PAN, verdadeiros TaliPan's, que também querem proibir tudo que não se insira na sua ideologia animalista/veganista. 

A burca. "burca, também chamada de chadri ou paranja na Ásia Central, é uma veste feminina que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos, porém nos olhos há uma rede para se poder enxergar. É usada pelas mulheres muçulmanas em alguns países islâmicos."  (SIC: Wikipédia)
O fundamentalismo religioso reduz a mulher ao papel de um objecto, sem direito a trabalhar fora de casa, de votar ou, sequer, poder circular na rua sem estar acompanhada por um homem.



O PAN quer "emburcar" a nossa sociedade! Desde logo com a proibição de actividades milenares, como a caça e a pesca, e tendo como obejctivo final acabar, futuramente, com o consumo de carne e peixe.
O PAN não é um verdadeiro partido politico. É uma seita que, à boleia do bem estar animal, tenta por todos os meios sujeitar a nossa sociedade à filosofia Vegan. Pelo caminho contam com o apoio dos incautos. Daqueles que votaram neles, mas que , na realidade, nunca leram o programa do "partido". São sobretudo urbanitas, donos de cães e gatos, que confundem amor pelos seus animais de companhia, com a realidade que não é exclusiva das grandes cidades.

A porta voz do PAN, numa entrevista que deu recentemente, mencionou dezassete vezes a palavra "anacrónico".  "Anacronismo (do grego ἀνά "contra" e χρόνος "tempo") é um erro cronológico, expressado na falta de alinhamento, consonância ou correspondência com uma época. Ocorre quando pessoas, eventos, palavras, objetos, costumes, sentimentos, pensamentos ou outras coisas que pertencem a uma determinada época são erroneamente retratados noutra época". (SIC: Wikipédia)
Ora, o PAN acha que a caça é anacrónica, a pesca é anacrónica e o consumo de carne e peixe anacrónicos. Aliás, só o PAN tem a autoridade moral para decidir o que é, ou não, anacrónico. Foram precisos novecentos anos de história para chegarmos à conclusão que estamos a fazer tudo errado...

Portugal tem 11 milhões de habitantes. Desses 11 milhões, 10,8 milhões podem votar. O PAN teve nas últimas eleições 174 mil votos. Ainda será preciso fazer contas?
Teremos de nos sujeitar à ditadura do gosto de uma ínfima parte da nossa sociedade? Eu acho o PAN anacrónico. É mais do que um erro cronológico, porque nunca deveria ter acontecido. Vivem à custa da projeção e do apoio dos meios de comunicação social, onde cirurgicamente se infiltram e semeiam a sua ideologia. 
É moda, dirão alguns. Eu digo, é cobardia. É fraqueza. É traição a toda uma cultura centenária. E fiquem sabendo que, podem conseguir proibir tudo e mais alguma coisa que não vos agrade, mas nunca conseguirão evitar que a história vos julgue. 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

O Alentejo e o paradigma do mundo rural



Não é segredo nenhum que adoro o Alentejo. Talvez por isso seja suspeito, mas - e como eu costumo dizer - preciso de ir, regularmente, descansar os olhos no seu esplendor. Basicamente, gosto de ir ao Alentejo por dois motivos: por tudo e por nada...
Dito isto, estou regressado de passar alguns dias que serviram para treinar os cães, recarregar baterias e fazer uma prova de Santo Huberto. Desta vez tive o privilégio da companhia da minha mulher, a Rita, que também se enquadra perfeitamente neste espírito.





Por convite do meu amigo Paulo Vieira (Meiguices, para os amigos), gestor cinegético da magnifica ZCT da Herdade de Píncaros, onde me colocou à disposição o seu fantástico campo de treino - para além da sua companhia, é claro - sediamos em Mora durante três dias. 









A escolha do alojamento não foi difícil, uma vez que existem várias opções na zona. Embora algumas ainda não estejam e funcionar, por causa da pandemia, optamos por ficar em Brotas, nas Casas de Romaria, local por nós já conhecido e onde ficamos várias vezes. Trata-se de um empreendimento de alojamento local, inserido mesmo no centro da aldeia. São casas recuperadas, totalmente funcionantes e com todo o conforto necessário. 



Quem quiser confecionar as suas refeições tem, inclusive, uma cozinha totalmente apetrechada. Mais típico é difícil e a simpatia da Maria, dona do empreendimento, é uma mais valia.




Entre os treinos, os almoços e os jantares, foram dois dias muito bem passados. Podemos degustar os mais típicos pratos alentejanos e adquirir os tão famosos e apreciados, produtos das região. Os queijos e os enchidos são exlibris desta zona. E já para não falar do pão! Hummm, o pão alentejano... É claro que "pão, pão", é o da padaria do Abundâncio Pinto! O Sr. Abundâncio, do alto dos seus 90 anos, ainda é quem manda. Mai nada!
Desde a cabidela, da Emília, até às migas de espargos com carne de alguidar, no O Alentejano, foi uma autêntica orgia de sabores. 

 




No sábado havia prova de Santo Huberto em Assumar. Esta tinha como objectivo ajudar uma instituição de apoio social, o Centro de Dia de N.Sª dos Milagres, de Assumar. Se por mais não fosse, só por isso já estava justificada a viagem.




Foi a primeira prova que se realizou após o último confinamento, por isso as inscrições (33), esgotaram apenas em 15 minutos. 
A concentração foi junto da igreja em Assumar, de onde partimos depois para os terrenos da prova. Cumprindo as directivas de DGS, o local era muito amplo e permitiu que houvesse todo o distanciamento social que se espera nestas alturas. 
Tive o "azar" de ser o último dos 11 concorrentes a entrar em prova, porém também beneficiei de o terreno já estar seco, embora estivesse mais calor. O pasto estava muito alto, tendo dificultado o trabalho dos cães. Por isso decidi à última hora fazer a prova com a Eva. A sua primeira prova a sério! Sendo a mais nova (2 anos), também teria mais disponibilidade física. E esta prova exigiu muito dos canitos. Correu bem, ficamos em segundo lugar na nossa série e com muito boas indicações para o futuro.


 



Após a prova fizemos o chamado pic-nic campal. Hoje em dia, e cumprindo as regras, não há o tradicional almoço de convívio nas provas de Santo Huberto. Numa tentativa de minimizar riscos, os intervenientes espalham-se por uma ampla área ao ar livre e cada um "faz pela vida".
Estas refeições acabam por ser verdeiros festivais gastronómicos, pois cada um leva algo e depois, tudo junto, transforma-se numa grande refeição!




Afinal, isto é aquilo a que eu chamo de usufruir do interior e do mundo rural. Se não fossem os caçadores e a caça, como teria sido movimentada a economia local desta zona? Mais, estamos fora da época cinegética mas, ainda assim, uma actividade ligada à caça - o Santo Huberto - fez funcionar a hotelaria, a restauração, a produção de caça e a solidariedade! 
O mundo rural - e tudo aquilo a ele associado - está sobre na mira dos urbanitas e não pelas melhores razões como as que acabo de descrever. Estes querem fazer do mundo rural, e das suas actividades, um parque temático de fim-de-semana, onde vão fazer selfies com cara de parvos e florzinhas por fundo, com a legenda de que são ecologistas e se preocupam com as abelhas. Pois é, mas é quem dá de comer às abelhas durante todo o ano?...




Tudo isto não é mais, nem menos, do que aquilo que é o mundo rural e não há dinheiro que pague o podermos usufruir desta realidade! Que a ditadura do gosto nunca consiga acabar com esta nossa paixão: a caça, o campo, a gastronomia tradicional e o inigualável convívio a eles associado!

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Desculpem-me, mas não tenho de pedir desculpa





Confesso que quando criei este blogue, em 31 de Dezembro de 2015, nunca imaginei que cinco anos depois estaria a desviar-me do seu objectivo inicial e tão preocupado com coisas que, nessa altura, seriam mera ficção, ou fariam parte de um pesadelo.
Este espaço da blogosfera foi criado na optica da partilha. A partilha de experiências, momentos e valores. Mas, e acima de tudo, a partilha de uma grande paixão: a caça, o mundo rural e a nossa fantástica gastronomia. Estava destinado ser um cantinho de prazeres e sentidos. Daí o seu nome: "Os 5 sentidos da caça".
Passados estes anos, dou comigo a lutar por tudo isto. Lutar por poder caçar; lutar pelo mundo rural; lutar pelas nossa tradições e costumes.




Não sou politico, nem dirigente de qualquer destes sectores da sociedade. Sou um simples cidadão que nasceu e sempre morou na cidade. Não tenho raízes no campo, nem tenho caçadores na família. A minha ligação a tudo isso surge já depois de adulto e de poder escolher as minhas paixões.
Durante a minha vida tive a sorte de encontrar as pessoas certas e que me orientaram nessas várias vertentes. Mostraram-me como era a vida fora da cidades e o que a natureza tinha para me oferecer., Mas, acima de tudo, ensinaram-me a respeitá-la, a entende-la e a usufruir dos seus momentos. Por tudo isso é que: - É no campo que eu me sinto bem!



Presentemente assistimos a um violento ataque a quase tudo que diz respeito à caça e ao mundo rural na sua generalidade. A ditadura do gosto que se instalou em Portugal, exacerbada até ao extremo por partidos radicais - e não apenas animalistas - que tudo fazem para encontrar motivos que justifiquem as proibições. A palavra "proibição" ganhou um novo significado: -"Se eu não gosto, proíba-se".




Qualquer fundamentação que possa ser apresentada, esbarra sempre numa alegada "evolução da sociedade". Nós somos os retrógrados, os primitivos, os involuídos. 
Querem transformar a nossa sociedade, numa bolha acéptica, inodora, insípida e assexuada, onde (até!), todos temos de comer com a quantidade de sal estipulada pelo estado. 







No que à actividade cinegética diz respeito, os partidos animalistas continuam na sua saga. Proibição, proibição, proibição. A Disneyzação da sociedade é digna de um filme de Domingo à tarde: "Caçador mau VS Bambie", ou "O Rei leão é amigo"...
As campanhas de intoxicação da opinião pública começam logo nos bancos da escola, com o passar da mensagem que os caçadores são homens maus que matam os bichinhos.




À boleia de uma pretensa noção de "bem estar animal", orientado para os animais de estimação, querem transportar esses conceitos para a natureza em si, juntamente com os seus habitantes. Para esses tenho uma má notícia: a Natureza é naturalmente violenta! Aí sobrevivem os mais fortes. Não existem lobos a dormir com as ovelhas, nem galinhas de braço dado com  as raposas...  

Mas, na realidade, não é meia dúzia de animalistas urbanóides que me preocupa. A sua expressão nacional é residual. Porém o trafico de influências politicas por onde se movimentam, isso já são outros quinhentos. Estes usam as suas exigências extremistas como se de um "Queijo Liminiano" se tratasse. E, no final, após os tais acertos políticos estratégicos, acabam por levar a água ao seu moinho.




Independentemente dos jogos de bastidores e do politicamente correcto, há uma coisa que eu nunca irei fazer. Nunca pedirei desculpa por exercer uma actividade que é legal, regulamentada, para a qual estou legalmente habilitado e pago licenças e taxas ao estado. Não!



Não! Não tenho de pedir desculpa por algo de que me orgulho de ser e fazer.
Não! Não estou a cometer um crime e ainda pago para fazer aquilo que gosto.
Não! Não quero o mundo rural transformado num parque temático onde os urbanitas vão ao fim de semana tirar fotografias bonitas para o Facebook.

Sim! Quero poder amar a natureza na sua essência e tal como ela é. Com bons e maus encontros.
Sim! Quero poder fazer aquilo que gosto e participar activamente no equilíbrio desta.
Sim! Quero ser respeitado nos meus gostos e convicções.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Não se trata apenas de um "só"!


"Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar." 

(Martin Niemöller)


Pela primeira vez vou fazer uma publicação em simultâneo nos meus dois blogues sobre caça. A situação em que nos colocou a aprovação dos dec.lei, ontem, no parlamento, justificam esta atitude excepcional.
São por demais conhecidos os constantes ataques ao sector da caça por parte dos partidos animalistas e outros que, cavalgando a mesma onda, agora também se assumem como tal, chegando até a proporem medidas mais radicais.
Estavam em cima da mesa três propostas. Uma do PAN, outra do BE e ainda outra do PEV. Antes de mais devo salientar a hipocrisia deste último, porque só agora, e ao fim de tantos anos no parlamento, decidiu avançar com propostas deste tipo. Prova de vida? Acredito que sim.
Tirando a do BE, que era sem duvida a mais danosa para nós, uma vez que até queria proibir a criação em cativeiro de espécies cinegéticas, os campos de treino de caça, etc, as outras duas assentavam no tão famoso "Tiro ao Pombo", ou ao Voo. Sem duvida um pretexto para outros "voos"...
O Tiro ao Voo é uma modalidade de tiro desportivo, tutelada pela FPTAC e que não tem nada a ver com a caça. Perguntar-me-ão, então o que é que isso tem a ver connosco? Muito simplesmente porque nas mesmas propostas são misturadas e confundidas (propositadamente!), várias premissas e realidades, recorrendo até à mentira, com o fim de confundir e influenciar a opinião pública. 

Chegam ao ridículo de afirmar que, no Tiro ao Voo, são utilizados cães para ir buscar os pombos, cães esses que são muitas vezes atingidos pelos tiros e deixados a morrer no campo de tiro... 




Na redação dos mesmos, agora aprovados, fizeram alterações à última hora, introduzindo palavras que, aparentando ser inocentes, se destinam a estender o seu âmbito muito para além do dito Tiro aos Pombos/Voo. O objectivo final é atingir, inclusive, as Provas de Santo Huberto. Mas isto é apenas o princípio, porque de seguida segue-se a proibição de soltar espécies cinegéticas, quer seja para provas, quer seja para treinar os cães, ou mesmo fazer repovoamentos.

Aquilo que nos parece ser apenas um "só", é muito mais do que isso! De "só" em "só", vamos ficando mais pobres e distantes das nossas paixões. De "só" em "só" vamos chegar à proibição de tudo.
No que às provas de Santo Huberto diz respeito, temos de agora ver qual a interpretação da lei vai ser feita pela tutela, sabendo de antemão que estamos sempre em desvantagem.

A  citação de Martin Niemöller parece-me mais pertinente do que nunca, porque estes decretos não visam apenas o Tiro ao Voo, fazem parte de um plano muito mais abrangente e elaborado que tem como objectivo final acabar com toda a actividade cinegética. 
Não vale a pena pensarmos que "isto" não tem nada que ver connosco. "Isto" tem a ver com todos! Abriu-se uma brecha na muralha e só conseguiremos evitar a "invasão" se TODOS estivermos unidos e solidários. 

domingo, 7 de março de 2021

A caça, a pesca e o mundo rural


A sociedade está permanentemente em mudança. Há quem lhe chame evolução, mas será que é mesmo isso? Até que ponto essa pretensa "evolução" não estará a destruir todo um património cultural de séculos? 

A desertificação do interior do país, fez com que, mesmo aqueles que nasceram no meio rural, acabassem por negar as suas origens. Modas? Sem duvida! Mas se há modas que são inócuas, outras há - como neste caso - acarretam uma enorme perda. Um povo que se envergonha da sua história e tradições, não pode ter grandes objectivos. As diferenças do passado devem fazer parte do processo de evolução e só evoluímos se aceitarmos essas mesmas diferenças. Querer reescrever a história, só nos conduz ao abismo da ingratidão.

Segunda consta, 60% da população portuguesa está sediada no litoral, ou a menos de 25Km da costa e maioritariamente dentro e na periferia de grandes cidades. Em meio século, o interior perdeu quase 40% das pessoas. (TSF)
Todas as actividades relacionadas com o mundo rural estão a ser percepcionadas por quem não o conhece e - pior ainda - o avalia por parâmetros fantasiosos dignos de um filme da Disney...

A caça, a pesca, a produção agrícola e pecuária, transformaram-se numa espécie de "coisa", que a actual sociedade "urbano-assexual-asséptica-depressiva", vê como algo incompreensível e ultrapassada. Quiçá criminosa!
Alô, meus caros amigos citadinos militantes: os frangos e as costeletas de porco não nascem dentro das cuvettes, nas prateleiras dos supermercados! E caso pensem o contrário, até aquelas alfaces e os tomates que tanto gostais, passaram pelas mãos calejadas de um agricultor.

Eu nasci na segunda maior cidade do país. A tal Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta e que historicamente sempre foi um bastião de resistência e de gente inconformada. Sou rebelde por natureza e é por isso que não me conformo com os constantes ataques ao interior rural e a tudo que ele está associado. Amo a caça, a pesca e o ar livre. Enfim, tudo que ao meio rural diz respeito. As suas tradições, os costumes, a gastronomia, mas - e acima de tudo - as suas gentes, que lutam de forma desigual e abnegada contra o centralismo urbanita. 
Um povo que renega a sua história e tradições, é um povo sem futuro. 

No que à caça diz respeito, é importante entender os movimentos inorgânicos que começam a surgir. Exemplo disso é o movimento #JuntosPeloMundoRural. É um fenómeno análogo ao que se verificou com as actividades profissionais (motoristas, enfermeiros, etc). Resumindo, os caçadores acham que os seus tradicionais representantes lhes estão a falhar e procuram outras alternativas e soluções. É por isso que procuram respostas entre seus pares.
Na minha perspectiva, um dos maiores erros das nossas OSCs, é que não entenderam a vontade daqueles que deviam representar. Basta fazer um périplo pelas redes sociais para se ter essa noção. Uma das coisas que me surpreende, é as mesmas organizações não terem ainda essa noção. Hoje em dia não basta existir, há que fazer prova de vida. 
A nossa paixão - e o mundo rural em si - está sob permanente ataque e censura. Sectores da sociedade, animalistas e anti-caça, fazem sempre de nós, caçadores, os maus da fita. Alguém que está ultrapassado no tempo e fazendo parte de um passado de que nos devemos envergonhar. Para esses eu tenho uma mensagem: "- Sou caçador e com muito orgulho!"

Não me cabe a mim dar conselhos aos dirigentes das nossas OSCs. A maior parte deles já por cá anda há tempo suficiente para saberem interpretar os sinais. Mas, talvez fosse boa ideia estarem mais atentos. Eu sei que o estado de emergência em que estamos não facilita nada a intervenção junto das instituições, porém já houveram outros tempos em que tal era bem mais fácil e nada de importante foi alcançado.

Penso que é hora de se cerrar fileiras. Deixar de lado o passado e olhar apenas para o futuro. 
Se juntos já somos poucos, divididos seremos ainda mais irrelevantes. 
Como eu costumo dizer: - Às vezes é preciso incomodar!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

A caça, o mundo rural e as tradições

  
O estado tem o dever - e a responsabilidade - de me "proteger"

Muito se tem falado e debatido nas redes sociais acerca dos mais recentes ataques à caça e ao mundo rural, tal como o conhecemos, por parte de algumas forças politicas e de outros movimentos com motivações duvidosas. Algumas dessas forças reforçaram a sua influência do parlamento, o que fez, uma vez mais, soar as campainhas de alarme.

Modas à parte, temos de reconhecer que ser caçador não está na moda. Gostar e prestigiar as nossas tradições, também parece não estar na moda. Até comer um bom bife, para além de não estar na moda, parece que agora é crime...
Perante tudo isto, onde é que nós, caçadores, amantes do mundo rural e das tradições, nos enquadramos? Estaremos condenados a sermos rotulados de trogloditas, atrasados, assassinos, etc, etc? Definitivamente eu digo que NÃO!

Um homem sem história, é um homem sem futuro. Aprecio muito os jovens (e a juventude), reservo-lhes a grande responsabilidade de virem a ser guardiões - no futuro - não só da sua carga genética, mas também das suas memórias. Estas - as memórias - serão algo que alguém teve o cuidado de lhes transmitir ao longo da vida e  que, em si, devem comportar - não apenas - o historial familiar, mas também cultural de toda uma sociedade onde estão inseridos.

Presumindo que os declarados anti-caça não tenham nascido por geração espontânea, todos eles terão uma família. Acredito, também, que será uma família funcional e estructurada, com valores e tradições. Sejam da cidade, ou do campo, acharão essas pessoas que têm o direito de tentar apagar as memórias e tradições de todas as outras? Rotular e colocar epítetos a alguém, apenas porque não comunga das mesmas ideias, será uma atitude civilizada?

Sou de uma geração que viveu um momento da nossa história em que não era fácil ter opiniões contrárias ao sistema. Vivi a transição e, por isso, consigo estabelecer comparações. A nossa liberdade termina onde a do outro começa. Que legitimidade têm estes "novos pensadores" para criticar, reprimir e proibir-me de fazer aquilo que mais gosto? Menos ainda, para me apelidarem com adjectivos já de si abjectos!

Exijo respeito! Respeito como ser humano, mas - acima de tudo - como cidadão cumpridor da lei em vigor e como contribuinte que pago os meus impostos.
O estado tem o dever - e a responsabilidade - de me "proteger"! Tem a obrigação de fazer com que eu não seja atacado por grupos de radicais extremistas - com agendas mais ou menos ocultas - que querem acabar com o meu modo de vida e as minhas memórias!

Em defesa da Caça e do Mundo Rural.
Rui Bonito

sábado, 5 de outubro de 2019

Perdiz recheada, assada no forno



A caça deve ter um fim digno e ser tratada com o respeito que nos merece. Serão confeccionadas a preceito e devidamente degustadas por quem um dia teve o privilégio de se cruzar com elas.
Ser caçador também é saber homenagear uma peça de caça, fazendo com que esta cumpra o seu desígnio.




Esta é uma receita muito simples e de fácil execução.
Depois de temperar as perdizes com sal e pimenta preta a gosto, há que as rechear.
O recheio é feito com chouriço de colorau picado, ao qual se juntam pimenta preta em grão, alho, tomilho e alecrim. 





Depois de recheadas, devem ser colocadas num tabuleiro para irem ao forno, previamente cobertas com tiras de bacon.




O ciclo completou-se. É a isto que eu chamo "caçar" e ser "caçador".
Chamem-lhe uma visão "poética da caça", mas quando assim deixar de ser - para mim - caçar não fará qualquer sentido.

Bom apetite!




Ingredientes:
- 2 Perdizes
- 50gr de Bacon
- 1 Chouriço de colorau
- Pimenta preta em grão
- Alho
- Cebola
- Tomilho, Alecrim,  Louro e Salsa
- Azeite
- Banha de porco
- Meio copo de vinho branco

Preparação:
Limpar bem duas perdizes e temperar com sal e pimenta preta qb.
Preparar o recheio picando um chouriço de colorau e juntando tomilho, alecrim, alho picado, e peimanta preta em grão, formando uma pasta homogénea.
Colocar as perdizes já recheadas num tabuleiro, onde previamente se colocou uma cebola cortada em meia lua, 3 dentes de alho esmagados, azeite e um pouco de vinho barnco.
Cobrir as perdizes com as tiras de bacon e colocar duas nozes de banha de porco e um ramo de salsa.
Levar ao forno já quente durante 40 minutos, cobrindo a assadeira com uma folha de papel de alumínio.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Redes sociais - as novas mesas do café?


No meu tempo - entenda-se, quando comecei a caçar - não existiam redes sociais, mas não era por isso que os caçadores deixavam de comunicar com os amigos. Para isso existiam as mesas dos cafés, ou até, as lojas dos armeiros. As segundas-feiras eram o dia, das mentiras, das verdades e de algumas fanfarronices... Mas o pessoal aproveitava para conviver, trocar informações e beber umas cervejas no Verão e uns cafés no Inverno. Era caso para se dizer que a coisa nascia e morria ali.


Lembro-me de um cartaz que costumava estar afixado nos locais onde os caçadores habitualmente se encontravam, e que dizia o seguinte: "Aqui se encontram, caçadores, pescadores e outros mentirosos"...
Todos nós achávamos piada à coisa e (em boa verdade), também colaborávamos, cada um ao seu estilo,  para dar seguimento à tradição.




Hoje em dia constato que os cafés estão cada vez mais vazios de caçadores e as raras lojas de armeiros são uma miragem. O "ponto de encontro", agora, são as redes sociais. Às vezes mesmo em directo do local onde se desenvolveu a jornada de caça!
Sinal dos tempos actuais, as redes sociais são - para o bem e para o mal - uma poderosa ferramenta de comunicação e montra de actividades. Contra isso, não tenho nada. Aliás, sou um assíduo utilizador dessas plataformas, como é prova, inclusivamente, este blogue. Mas acho que a maioria de nós ainda não tem noção do impacto disso mesmo.

É inegável que a caça, e os caçadores, estão diariamente a ser escrutinados e, muitas vezes atacados na sua actividade.
Os movimentos de "cruzados anti-caça", também se infiltram nos grupos de caçadores do Facebook, por exemplo. Com falsos perfis, colhem informação, fotos comprometedoras onde (pretensamente), a lei é desrespeitada, ou mostram imagens que podem ser mal interpretadas e distorcidas, dando consistência à sua argumentação radical.

Curiosamente não os culpo. pois acho que os maiores culpados somos nós. Pelo menos aqueles que fazem questão de se pôr a jeito!

Desengane-se quem acha que o direito que temos hoje de poder caçar é universal e para todo o sempre. As coisas mudaram! Iremos ser cada vez mais atacados e haverão novas tentativas de acabar com a caça. Não adianta enfiar a cabeça na areia. Só mesmo quem ande muito desatento não entenderá isso.
Nós, caçadores, temos de ser mais responsáveis quando partilhamos algumas publicações nas redes sociais. Não se esqueçam que qualquer coisa que publiquem, pode ser vista por muitos milhões de olhos, inclusive por aqueles que não nos vêm com "bons olhos".

Partilhem as vossas caçadas, convivam online com amigos e conhecidos, contem as vossas pequenas "mentiras", porque tudo isso também faz parte da caça. Mas, por favor, não se ponham a jeito ao divulgarem imagens que possam ser usadas conta nós. Deixem-se de provocações desnecessárias que mais não são do que tiros nos pés.



Usem a imaginação e o bom gosto na composição dos vossos quadros de caça. Não publiquem fotos onde se dê a entender que  foram excedidos os limites e, caso o façam, deixem bem explícito quantas armas estiveram implicadas, ou/e o país onde foi efectuada. É uma coisa tão simples, mas que pode ser tão importante.



Termino desejando a todos vós uma boa época de caça, onde a memória dos lances se sobreponha sempre à matemática dos números.
Lembrem-se que: "À mulher de César não basta ser séria, também deve parece-lo"!
Saudações cinegéticas.
Rui Bonito

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

"Caça, que é caça, quer-se escassa"


Caça, que é caça, quer-se escassa

Quantos de nós, caçadores, entendem e aceitam este dito popular?
Ou será que valorizam mais o: - "A minha pil(h)a é maior do que a tua?...
Guardem na vossa memória os lances e nunca os números.
Os números esquecem-se, os lances - esses - ficam registados para sempre!

domingo, 25 de agosto de 2019

Sejamos claros


Hipocrisia: " (...) A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis -- ambos significando a representação de um actor, actuação, fingimento. Essa palavra passou mais tarde a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos (...)"

Acabei de ver na SIC uma peça sobre os estragos que o javali tem vindo a causar na agricultura, na região centro, nomeadamente nos milheirais. Os agricultores queixam-se do ICNF e das Associações de Caçadores e exigem soluções, algumas passando por indemnizações pecuniárias.
Está certo, até estou lado dos agricultores.

Este ano renovei a minha LUPA, classe C. A "brincadeira" ficou-me por uns "módicos" 140€. 
Há dois anos renovei a carta de Caçador. Por essa veleidade tive de pagar mais de 20€.
Pago uma licença de caça anualmente, que custa 66€.
Pago a licença dos cães à Junta de Freguesia que custa 6.80€/ano, cada um. Pago ainda, durante todo o ano, a comida, as desparasitações, as vacinas e outras despesas ocasionais no veterinário.

Durante todo o ano sou apelidado de "assassino", "selvagem", "cobarde" e outros ipítetos menos benevolentes, quer nas redes sociais, quer pela comunicação social, quer por algumas forças partidárias. E agora, querem que eu faça parte da solução?!

Neste momento falo como caçador e não como o cidadão Rui Bonito: - Querem refeições grátis e ainda poder tratar mal o cozinheiro?!
Até onde é que a "tal" da "hipocrisia" nos vai levar? Respondam-me senhores anti-caça. Vamos todos fazer de conta e ser politicamente correctos? E quem vai ajudar a resolver o problema? Ou só será mesmo um problema quando os porcos invadirem os jardins das nossas cidades?

Pessoalmente acho que o reconhecimento da importância da caça, em si, e dos caçadores em particular, seria um bom princípio. 
Não quero me agradeçam, nem que me façam favores, apenas peço que não nos hostilizem, nem façam de nós - caçadores - os maus da fita.
Nós podemos (e seremos sempre), parte da solução, nunca um problema! Os caçadores devem fazer parte de uma pirâmide e integrados numa cadeia natural, mas acima de tudo devem ter o respeito que merecem e ser-lhes dada a devida importância. 

domingo, 18 de agosto de 2019

Respeito pela caça

Caros companheiros, na abertura de mais uma época de caça (espero que tudo tenha corrido bem), mas - e acima de tudo - se me é permitido pedir uma coisa, gostava de vos sugerir que publicassem apenas Quadros de Caça onde a caça fosse dignificada e tratada com o respeito que nos deve merecer.
Nós, caçadores, temos a obrigação de mostrar à sociedade que não somos os "selvagens" que algumas novas "correntes" querem fazer passar. Não nos ponhamos a jeito, para que depois não soframos com isso. Também depende de nós!
Dêem tiros para o ar, em frente, ou até para o chão, mas - por favor - não dêem tiros nos pés...


(Um bom exemplo: foto do facebook de Adriano Bonifácio)